“Eu a amei antes de tudo acontecer, e vou continuar amando. Agora, não consigo culpar ninguém. Só tenho que agradecê-la por ter me amado também”. O desabafo emocionado é do servidor Douglas Francisco Alves, de 48 anos, após perder a mulher Roseli Christianini Martins, de 34, que lutava há quatro meses contra o câncer, mas não resistiu e morreu na última quarta-feira (30).

Roseli foi identificada com sete tumores, após ser submetida a exames em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Um deles, situado no ovário, media cerca de 20 cm, ocasionando o acúmulo de líquidos e o crescimento da barriga dela, tanto que algumas pessoas a confundiam com uma mulher grávida. Sem conseguir tratamento na rede pública, ela acabou pedindo ajuda em um vídeo, que viralizou.

“Estou tentando ficar bem, mas é difícil. Quando eu a vi pela última vez, no começo da semana, mal conseguia falar comigo. Ela disse para mim: ‘Meu nego, você está aí?’. Eu respondi: ‘Sim, minha nega véia’. Ela estava quase inconsciente e os remédios não faziam efeito”, contou o funcionário público, casado com ela há oito anos.

Douglas disse que, diante da gravidade do quadro, já estava esperando o pior, mas tinha esperança. “A gente achou que com os exames ela conseguiria fazer uma cirurgia. Mas, do jeito que eu a vi, percebi que a situação tinha se agravado. Os médicos fizeram o que puderam, apesar de tudo”, desabafou.

Apenas na quinta-feira (31) à noite ele conseguiu voltar para casa, após o ocorrido. “Vai ficar a lembrança. Eu tenho três filhos e ela tinha outros três, todos de outros casamentos. Mas ela me amou de verdade. Foi guerreira, e quando eu fiquei doente, disse para eu não me entregar”, revelou Douglas, que tem glaucoma.

Sobre a possível demora no diagnóstico, no atendimento e na transferência a um hospital referência que pudesse fazer o tratamento, o funcionário público diz não ter condições de responsabilizar ninguém. “Agora, eu não consigo culpar ninguém. Minha mulher descansou. Sofreu por quatro meses e não tinha mais o que fazer”, lamentou.

Sem ter condições financeiras, mas com a ajuda de conhecidos, ele conseguiu fazer a liberação do corpo da mulher e preparar a cerimônia fúnebre, que ocorrerá nesta sexta-feira (1º). O corpo de Roseli será velado no Cemitério Municipal de Praia Grande e o sepultamento deverá ocorrer em seguida, no mesmo local.